historiadocinema

                                           

História do Cinema:

  
Sistema de reprodução de imagens em movimento, registradas em filme e projetadas sobre uma tela, usado como meio de expressão artística e comunicação de massa . Desde a Antiguidade, o homem preocupa-se com o registro do movimento. O desenho e a pintura foram as primeiras formas de representação dos aspectos dinâmicos da vida humana e da natureza. O jogo de sombras do teatro de marionetes oriental, que surge por volta de 5.000 a.C. na China, é considerado um dos mais remotos precursores do cinema. Experiências posteriores , como a câmera escura (século XV) e a lanterna mágica (século XVII), constituem os fundamentos da ciência ótica, que torna possível a técnica cinematográfica.
    No século XIX, são construídos vários aparelhos baseados no fenômeno da persistência retiniana (fração de segundo em que a imagem permanece na retina) na tentativa de captar e reproduzir a imagem do movimento. A fotografia, desenvolvida simultaneamente por Louis-Jacques Daguerre (1787-1851) e Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), representa avanço decisivo na direção do cinematógrafo. Esse aparelho, uma espécie de ancestral da filmadora, capaz de exibir imagens em movimento, é criado pelos irmãos Auguste e Louis Lumière, considerados os inventores do cinema.
A primeira apresentação pública do cinematógrafo, em 28 de dezembro de 1895, em Paris, marca oficialmente o início da história do cinema. Na ocasião são exibidas as primeiras produções dos Lumière, como A Chegada do Trem à Estação, A Saída dos Operários das Usinas Lumière e O Almoço do Bebê. Esses primeiros filmes, mudos e em preto-e-branco, duram de 1 a 2 minutos e mostram cenas do cotidiano captadas ao ar livre por uma câmera fixa.
    O precursor da ficção no cinema é o norte-americano Edwin Porter (1869-1941), que desenvolve os princípios da narração e da montagem artística em Vida de um Bombeiro Americano (1902). Um ano depois, seu filme O Grande Roubo do Trem marca o início da indústria cinematográfica. Mas é o francês Georges Méliès (1861-1938) quem, de fato, introduz a ficção no cinema com Viagem à Lua (1902), pioneiro na utilização de efeitos especiais, cenários e figurinos. É atribuída a ele também a realização dos primeiros filmes em cores. O norte-americano David Griffith (1875-1948), considerado o criador da linguagem cinematográfica, introduz o corte e a montagem, o que permite contar ações paralelas intercalando as imagens. Também inova ao deslocar a câmera para filmar closes, como em Nascimento de uma Nação (1915), o primeiro longa-metragem norte-americano.
     Vanguardas européias – Na Europa, a partir do final da década de 10, o cinema aproxima-se dos grandes movimentos artísticos. O impressionismo inspira cineastas como Abel Gance (1889-1981) e o dadaísmo e o cubismo influenciam René Clair (1898-1981). O diretor Luis Buñuel (1900-1983) é considerado o expoente do surrealismo no cinema. Refletindo as angústias do período entreguerras, o expressionismo marca a produção cinematográfica alemã. Na Rússia, com o construtivismo, o cinema torna-se um instrumento de difusão dos ideais revolucionários. Na França, entre 1921 e 1931, desenvolve-se a avant-garde, movimento de renovação cinematográfica. Os filmes tentam romper com a narrativa do cinema clássico ao expressar sentimentos e idéias dentro de um contexto poético e por meio de artifícios técnicos de enquadramento, montagem e ritmo.
Hollywood – Durante a I Guerra Mundial, a produção cinematográfica desloca-se da Europa para os Estados Unidos. Em Hollywood, Califórnia, surgem os primeiros grandes estúdios, como a Universal Pictures. Nos anos 20, com a consolidação da indústria cinematográfica, os estúdios funcionam com equipes de diretores , roteiristas, técnicos e atores. A comédia, baseada na sátira de pequenas cenas do cotidiano, da vida urbana e da "civilização das máquinas", é o gênero mais comum. Destacam-se os tipos desenvolvidos por Charles Chaplin (1889-1977) em Carlitos Repórter e O Garoto e por Buster Keaton (1895-1966) em A General (1926) e Marinheiro de Encomenda (1928). Luzes de Nova York (1928), de Brian Foy, é o primeiro filme totalmente falado.
O auge dos estúdios de Hollywood ocorre nas décadas de 30 e 40. Surgem superproduções como A Dama da Camélias, ...E o Vento Levou, O Morro dos Ventos Uivantes e Casablanca. Novos recursos técnicos possibilitam o desenvolvimento pleno de todos os gêneros, principalmente do musical (Voando para o Rio, de Thornton Freeland), da comédia (Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra) e do western (No Tempo das Diligências, de John Ford). Entre os estúdios, destacam-se a Metro (dedicada a musicais e filmes com grandes estrelas, como Greta Garbo), a Warner (especializada em filmes de gângster em preto-e-branco) e a Paramount (consagrada em produções mais sofisticadas, com estrelas como Marlene Dietrich). Eles desenvolvem o sistema de "fabricação de estrelas", o star system. Mary Pickford (1893-1979) e Theda Bara (1890-1955) são alguns dos nomes mais expressivos.
     Cinema de autor – Em 1941, Orson Welles (1915-1985) lança sua obra-prima, Cidadão Kane, e inova a linguagem do cinema ao utilizar um enredo não-linear, uma narrativa baseada em flashbacks e ousadia na profundidade de campo.
A partir da década de 50, os produtores perdem força em favor dos diretores-autores, que deixam de ser apenas executores técnicos. Surge o cinema de autor, no qual o diretor imprime a cada filme seu estilo e sua visão de mundo. Várias manifestações, como o neo-realismo italiano, a nouvelle vague francesa e o cinema novo brasileiro, compõem o chamado "cinema de arte", oposto às produções comerciais de entretenimento.
    O neo-realismo surge na Itália em plena II Guerra Mundial. Os cineastas assumem uma posição crítica em relação aos problemas sociais e reagem contra os esquemas hollywoodianos de produção ao usar poucos recursos, linguagem mais simples, atores não-profissionais e tomadas ao ar livre. Inovam nos temas ao tratar criticamente o cotidiano do proletariado, de camponeses e da baixa classe média em meio ao desemprego, à fome e às dificuldades enfrentadas durante e após a guerra. A decisão de abandonar a aventura, o suspense e o artificialismo para retratar o cotidiano é a principal contribuição do neo-ralismo ao cinema moderno. O filme Obsessão (1942), de Luchino Visconti (1906-1976), é considerado a obra inaugural do gênero. Mas é Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini (1906-1977), que alcança repercussão internacional. Outro expoente é Ladrões de Bicicletas (1948), de Vittorio De Sica (1901-1974).
     Na França, no final dos anos 50, a nouvelle vague defende o cinema de autor e a liberdade narrativa. Seus representantes reagem contra o academicismo das produções francesas, criticam o cinema de estúdio e as formas narrativas convencionais. Realizam obras de baixo custo, privilegiam as câmeras portáteis, equipes pequenas e filmagens nas ruas. Embora influenciada pelo neo-realismo, a nouvelle vague interessa-se pouco pela situação social e política do país, privilegiando as questões existenciais, a discussão da liberdade individual em uma sociedade repressora e os efeitos da memória e do tempo nas relações humanas. Entre os principais filmes estão Acossado, de Jean-Luc Godard (1930-), Os Incompreendidos, de François Truffaut (1932-1984), Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais (1922-), e Trinta Anos Esta Noite, de Louis Malle (1932-1995).
     Nos EUA, o maior destaque dos anos 50 é o cinema noir, que exibe atmosferas sombrias e decadentes. A maioria dos filmes é em preto-e-branco, como Relíquia Macabra, de John Huston (1906-1987). Na mesma época, destaca-se a produção dos diretores Alfred Hitchcock (1899-1980) e Billy Wilder (1906-).
Nos anos 60 e 70, o cinema italiano inclina-se para a investigação psicológica. Nessa linha destacam-se: Michelangelo Antonioni (1912-), com Blow-Up-Depois Daquele Beijo; Federico Fellini (1920-1993), com A Doce Vida; Ettore Scola (1931-), com Nós Que Nos Amávamos Tanto; e Bernardo Bertolucci (1941-), com O Último Tango em Paris. Nos EUA, os principais nomes do cinema de autor afirmam-se na década de 70, como Francis Ford Coppola (1939-), de O Poderoso Chefão; Martin Scorsese (1942-), de Taxi Driver; Robert Altman (1925-), de Mash.; e Woody Allen (1935-), de Manhattan. Na Alemanha, desponta o cinema novo, com os filmes amargurados de Rainer Fassbinder (1946-1982), diretor de O Casamento de Maria Braun, e Werner Herzog (1942-), de O Enigma de Kaspar Hauser. Na Rússia, destaca-se a obra de Andrei Tarkóvski (1932-1986), como Solaris. No Leste Asiático, o japonês Akira Kurosawa (1910-), de Dersu Uzala, desenvolve uma produção peculiar que une temáticas tradicionais e assuntos contemporâneos.
     Tendências contemporâneas – A partir dos anos 80, o cinema volta a ser mais narrativo e cresce a preocupação com a viabilidade comercial das produções. É comum cineastas fazerem referências a marcos do cinema, como Brian De Palma (1940-), em Dublê de Corpo, que tem cenas inspiradas na obra de Alfred Hitchcock. Na Europa, o cinema inglês destaca-se a partir da produção do Channel 4 de TV. Os filmes têm muita movimentação de câmera, enfocam problemas sociais e são ousados ao tratar de sexo. Entre os principais diretores estão Alan Parker (1944-), de Coração Satânico; Stephen Frears (1941-), de Minha Adorável Lavanderia; Peter Greenaway (1942-), de O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante; e Kenneth Branagh (1960-), de Henrique V. Na Alemanha e na Suécia, destacam-se, respectivamente, as obras de Wim Wenders (1945-) - Paris, Texas – e Ingmar Bergman (1918-) -, Fanny e Alexander.
    Na França o cinema intimista permanece uma tendência forte para diretores como Bertrand Blier (1939-), de Meu Marido de Batom; Jean-Jacques Beineix (1946-), de Betty Blue; Jean-Jacques Annaud (1943-), de O Amante; Louis Malle, de Perdas e Danos; e Claude Chabrol (1930-), de Madame Bovary.
    No cinema espanhol distinguem-se Carlos Saura (1932-) e Pedro Almodóvar (1948-). O primeiro faz críticas à vida familiar, como em Mamãe Faz Cem Anos. Almodóvar satiriza a Espanha atual e os antigos melodramas, como em Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos e A Flor do Meu Segredo.
No Leste Europeu nasce um cinema de enfoque político. Destacam-se o polonês Andrzej Wajda (1926-), de O Homem de Ferro; o húngaro Istvan Szabo (1938-), de Mephisto; e o iugoslavo Emir Kusturica (1955-), de Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios. Na China, a Academia de Cinema, após sua reabertura na década de 70, revela diretores como Zhang Yimou (1950-), de Lanternas Vermelhas; e Chen Kaige (1952-), de Adeus Minha Concubina.
    O cinema norte-americano absorve valores do cinema de autor. É o caso dos irmãos Joel (1955-) e Ethan Coen (1957-), de Arizona Nunca Mais; David Lynch (1946-), de Veludo Azul; Jim Jarmusch (1953-), de Daunbailó; Spike Lee (1957-), de Malcolm X; e Hal Hartley (1959-), de Confiança. Ao mesmo tempo, o cinema comercial e as superproduções conquistam grande público, como O Parque dos Dinossauros, de Steven Spielberg (1947-); Independence Day, de Roland Emmerich (1955-); e Batman & Robin, de Joel Schumacher (1942-). Os filmes que exploram a violência, como Pulp Fiction - Tempo de Violência, de Quentin Tarantino (1963-); Seven - Os Sete Pecados Capitais, de David Fincher (1963-); e A Outra Face, de John Woo (1948-), atingem um público cada vez maior.

 

Cinema - Cronologia

1895 - Primeira exibição pública do cinematógrafo, organizada pelos irmãos Auguste e Louis Lumière.

1896
- O filme The Kiss, de Thomas Edison, mostra o primeiro beijo no cinema entre John Rice e May Irwin.

1898 - Surgimento dos primeiros filmes com trechos coloridos de maneira primitiva.

1902 - Georges Méliès produz Viagem à Lua e A Conquista do Pólo, primeiros filmes de ficção.

1903 - O Grande Roubo do Trem, de Edwin S. Porter, é precursor dos faroestes no cinema.

1914 - O inglês Charles Chaplin faz seu primeiro filme, Carlitos Repórter, que lança um dos tipos mais famosos do cinema.

1915 - O Nascimento de uma Nação, de David Griffith, é o primeiro longa-metragem norte-americano e o primeiro filme a ultrapassar os US$ 10 milhões de bilheteria.

1919 - Estréia de O gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, marco do expressionismo no cinema.

1921 - São lançados 854 filmes nos cinemas norte-americanos, recorde até hoje não igualado.

1925 - Serguei Eisenstein realiza O Encouraçado Potemkin, obra-prima do construtivismo russo, em homenagem à Revolução Russa.

1927 - Lançamento do filme O Cantor de Jazz, de Alan Crosland, primeiro com passagens faladas e cantadas.

1929 - Primeira entrega do prêmio Oscar, criado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

1928 - Luis Buñuel escreve em parceria com Salvador Dalí o filme Um Cão Andaluz, manifesto do cinema surrealista.

- Luzes de Nova York, do norte-americano Brian Foy, é o primeiro filme inteiramente falado.

1929 - Estúdios americanos adotam o Código Hays, que determina a censura prévia na produção.

1932 - Primeira edição do Festival de Veneza premia quatro filmes.

1935 - Lançamento de Vaidade e Beleza, do norte-americano Rouben Mamoulian, primeiro longa inteiramente colorido através do processo Technicolor.

1939
- O filme No Tempo das Diligências, do norte-americano John Ford, inaugura a época dos westerns de grande produção.

1941 - O norte-americano Orson Welles revoluciona a estética do cinema com Cidadão Kane.

- Lançamento de Relíquia Macabra, do norte-americano John Huston, considerado primeiro clássico do film noir.

1942 - Hollywood produz o filme Casablanca, dirigido pelo húngaro Michael Curtiz.

- Lançamento de Obsessão, do italiano Luchino Visconti, marco inaugural do neo-realismo italiano.

1945 - O cineasta italiana Roberto Rosselini lança Roma, Cidade Aberta, obra-prima do neo-realismo italiano.

1946 - Primeira edição do Festival de Cannes premia A Batalha dos Trilhos, de René Clément.

1950 - Rashomon, de Akira Kurosawa, projeta internacionalmente o cinema japonês.

- Estréia de Quem Ama Não Teme, da atriz norte-americana Ida Lupino, primeiro filme em Hollywood dirigido e produzido por uma mulher.

1956 - Primeira edição do Festival de Berlim premia o fime Convite à Dança, de Gene Kelly, com o Urso de Ouro.

1959 - Os filmes Os Incompreendidos, de François Truffaut; Acossado, de Jean-Luc Godard, e Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais, marcam o movimento francês da Nouvelle Vague.

- Lançamento do filme Ben-Hur, do norte-americano William Wyler, que recebe o número recorde de 11 Oscars.

1960 - Estréia de Psicose, do diretor inglês Alfred Hitchcock.

1962 - O super agente-secreto James Bond estréia nos cinemas no filme O Satânico Dr. No, de Terence Young.

1968 - Lançamento de 2001 uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, marca a ficção científica e o cinema moderno.

1972 - O filme O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, inaugura o gênero "arrasa-quarteirão" (blockbuster): filmes que fazem enorme sucesso de bilheteria.

1975 - Lançamento de Tubarão, de Steven Spielberg, primeiro filme a romper a barreira de US$ 100 milhões de bilheteria.

1977 - Guerra nas Estrelas, de George Lucas, marca a história dos efeitos especiais no cinema.

1982 - Tron, uma Odisséia Eletrônica, produção dos estúdios Disney, é o primeiro filme com sequências inteiras em computação gráfica.

1989 - Premiação de sexo, mentira e videotapes, de Steven Sodebergh, no Festival de Cannes marca a ascensão do cinema independente norte-americano.

1994 - Steven Spielberg recebe seu primeiro Oscar como diretor pelo filme A Lista de Schindler.

1995 - O filme Forrest Gump, de Robert Zemeckis, recebe seis Oscars. Tom Hanks torna-se o primeiro a receber dois prêmios consecutivos da academia como melhor ator, desde Spencer Tracy (1937 e 1938).
- O primeiro filme interativo, Mr. Playback, estréia nos Estados Unidos. A audiência pode decidir o que vai acontecer, por meio de um controle instalado em cada assento.

1996 - O cinema completa cem anos.

1997
- Pela primeira vez na história, 21 filmes superam os US$ 100 milhões em lucros de bilheteria com sua exibição fora do mercado norte-americano. As produções mais rentáveis são Parque dos Dinossauros - Mundo Perdido (US$ 382 milhões) e MIB - Homens de Preto (US$ 300 milhões).

                                                                                                       
                                                                            CClique aqui e saiba mais do grande sucesso
                                                                                     "TITANIC" 
                                                                             Cc                                                                                                         

               VOLTAR